Killian nasceu com um transtorno global do desenvolvimento que os médicos mais tarde identificaram como autismo. Até aos três anos de idade tudo parecia estar bem com Killian mas depois dessa data, e até à idade pré-escolar, era incapaz de estabelecer uma ligação com outro ser humano. Não tinha qualquer contacto visual com as pessoas mas tinha uma fixação por animais, especialmente por Fenrir, um cão de cruzamento de Lobo de Alsácia com rafeiro de pelagem lobeira, animal de estimação da família. O relacionamento com Fenrir era comovente, Killian via-o como um irmão mais velho e como um modelo, pareciam comunicar entre si. Os pais de Killian, o senhor Keith e a senhora Faye, encontravam naquela relação algo de bom pois Fenrir era um elo de ligação entre eles e Killian, parecia que aos poucos esse elo era cada vez mais forte e a esperança de que Killian um dia pudesse comunicar directamente com os seus pais era algo muito próximo…até ao dia em que Fenrir morreu.
Killian contava já com seis anos quando perdeu o seu “irmão” mas devido à sua incapacidade nunca percebeu para onde Fenrir fora. Corria pela casa, procurava-o em todo o lado, os pais preocupavam-se, “ Killian, meu rico filho, O Fenrir foi-se embora, já não vai voltar” dizia Faye chorando por ver o seu filho naquela agitação. “Eu não sei Faye, temos que arranjar outro cão” disse Keith “Não gosto de o ver assim. Não me parece que outro cão possa ocupar o lugar de Fenrir.” Respondeu Faye. “Ele é ainda uma criança Faye, nem vai notar a diferença, fazemos assim, arranjamos um cão igualzinho. Certamente que mal não irá fazer e com o tempo ele vai esquecer o Fenrir”.
No dia seguinte os Lowlands tinham um novo membro na família, um malinois com pelo lobeiro igual ao de Fenrir, não lhe chamaram Fenrir porque sabiam que Killian não o ia reconhecer como o seu velho amigo por isso chamaram-lhe Freki. Nos primeiros dias Killian parecia ignorar Freki e das vezes que escolhia não o fazer parecia ser cruel para o pobre animal. Tirava-lhe a comida, saltava para cima dele e puxava-lhe as orelhas, Freki era um bode espiatório. “Ki não faças isso ao pobre Freki filho” dizia a mãe.”Killiam eu sei que tens saudades do Fenny mas isso não é razão para tratares mal o Freki.” Acrescentou Keith. Visto da perspectiva humana o comportamento de Killian era cruel e sem razão de ser, mas Killiam era especial, não fora educado por um humano, o comportamento dele era de um cão. Killian não estava a ser cruel e nem Freki se estava a sentir rejeitado, a leitura era simples: Killian era o Alpha da matilha e Freki era o Omega…isto fora um dos ensinamentos de Fenrir que ocupou o lugar de Beta, o babysiter de uma matilha.
Com o passar dos meses e anos a relação mudara, Freki seguia Killian para todo o lado e parecia fazer tudo o que este queria, no entanto a comunicação com as pessoas era cada vez pior. Killian não se comportava como um animal, era um ser humano completo, que andava erecto nas suas duas pernas, comia a mesa com os talheres mas simplesmente não falava, quanto ao contacto visual só o fazia quando tinha ataques de fúria, aí Killian não era humano, e os pais preocuparam-se.
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