“Um psiquiatra”, pensou. “Desculpe-me Doutor. Como disse que era o seu nome?”, “Meyer, Dr.Meyer” respondeu o médico numa calma que parecia irritá-lo. “Doutor Meyer eu não sei o que se está a passar comigo, não me lembro de si nem tão pouco de ter falado consigo seja do que for.” Respondeu exaltado. “O Senhor sofre de uma espécie de amnésia pós-traumática, mas o que nos intriga é que esse trauma não é físico e pelos visto ainda o acompanha. Quais são as recordações que o atormentam?”. O coração começava a bater descompassado e o quarto a ficar mais escuro mas não como das outras vezes. O sentimento era físico, dor, ansiedade, agonia. Olhou para o médico e contraiu o maxilar, a cara de Meyer estava serena, ao ponto de o deixar furioso, serena ao ponto de pensar que estava a ser gozado, o que é que se estava a passar? “Escute Doutor Meyer! Acha que sou maluquinho? Pois eu dou-lhe o maluquinho.” Respondeu com um sorriso quase demoníaco. “Lembro-me de neve negra e de uma mulher de cabelos negros que me persegue. Lembro-me também de uma criança pequena que me parece estar sempre a indicar o caminho para algo que pelos visto não leva a nada. Lembro-me de dor, de muita dor. Agora diga-me, o que se passa comigo?”
O médico abanou a cabeça e olhou para os seus apontamentos sem dizer uma palavra. “O quê? Não me responde?” – “ Eu estou aqui para o ajudar. Todos os dias venho aqui ter consigo para falarmos, o senhor exalta-se, fala-me de uma mulher de cabelos negros, de uma criança pequena e de neve negra. Sempre o mesmo discurso, vezes sem conta, sem aparente melhoria.” Respondeu o médico de forma séria. “O senhor não sabe o seu próprio nome, não sabe porque está aqui e aparentemente só conhece uma pessoa, a senhora Daystar. Diga-me, de onde a conhece?”, perguntou o medico. “Eu…nós…a verdade é que desde pequeno que gosto de Anna…não, não é gostar…eu amo-a…é isso!” - “Continue “ encorajou Meyer. “Não sei porque lhe estou a dizer isto mas a verdade é que agora que ela está em coma tenho medo, muito medo de não lhe ter dito que a amo.” - “Diga-me, lembra-se do seu nome?”, disse Meyer em tom de desafio. “O meu nome? Claro, chamo-me Bugsy…não isso é…o meu nome? Não me recordo...” - “Talvez isto o ajude” disse o médico retirando um foto que estava no meio dos seus apontamentos. Na foto podia-se ver Anna com uma criança pequena ao colo, a mesma criança que o assombrava, ambas estavam sorridentes, ao lado dela estava um homem mas a foto estava rasgada e era impossível ver a cara.“ Onde foi a isto?” perguntou ao médico. “Esta foto pertence à Senhora Daystar. Estava na sua casa, aliás, na vossa casa.” - “ O quê?” - “Senhor Daystar, a sua esposa está entre a vida e a morte e o seu filho...morreu no incêndio. Encare a realidade, não se recorda mesmo de nada?”
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